RECÔNCAVO
Estive em São Francisco do Conde, cidade do pai e de vovô, que tiveram quase todas as atenções voltadas para eles. Suponho que o vô tenha preferido assim: família, conversas e gargalhadas. Frutos do mar de lá preparados por mãos de cá e saboreados por paladares de todas as partes.
Avô, pai, dindo, tios e primos numa modesta reuniãozinha de gerações facilmente substituída pelo jogo de futebol ou pelo mergulho entre as canoas da maré.
Um passeio pela sorridente cidade negra, uma caminhada pela orla, um som ao vivo num dos novos barzinhos do Centro Cultural e um livro à brisa sob as históricas palmeiras... a jornada de um dia anti-capitalista agracia quem peleja e batalha.
DURMA COM UM BARULHO DESSE!
A menina dormia ao meu lado fazendo o braço de travesseiro. Se esforçou olhando em volta pra descobrir a que ponto estávamos na viagem. Estávamos longe. Foi o que pareceu, já que olhou pela última vez. Aconchegou-se com a cabeça encostada na janela, deslizou o corpo, ajeitou o casaco, virou a bolsa e pronto, caiu num sono profundo!
Enquanto isso eu contemplava a minha agenda aberta, anotava belos compromissos miúdos e observava. Do lado de fora o mar - sempre ele! - compondo o cenário de todos os meus dias, cena pedinte de jazz e colo.
De repente um estardalhaço, um mexer-se brusco, uma vizinhança repentina, um olhar assustado, perdido no meio do ponto que já passou (imagina-se), um grito desesperado em minha direção:
- VOCÊ NEM PRA ME AVISAR!!!
Um silêncio. Ela caiu em si e viu que eu não era a vilã do sabe-se-lá-qual sonho que estava tendo. Duas pessoas sem graça. Uma situação publicamente constrangedora. Aprofunda-se o silêncio, dessa vez com tom de "desculpe-me!" seguido de um "tudo bem, acontece!". Um sinal que pede passagem (claro que eu dei, né? E rapidinho! A menina parecia ser uma fera!!!). Desceu arrasada, roxa de vergonha, coitada!
Coitada? Coitada de mim que fiquei convivendo com os olhares e o comentário do cobrador que, colocando a cabeça por fora da janela, não se conteve: "Vaaaai louca!!"
A menina dormia ao meu lado fazendo o braço de travesseiro. Se esforçou olhando em volta pra descobrir a que ponto estávamos na viagem. Estávamos longe. Foi o que pareceu, já que olhou pela última vez. Aconchegou-se com a cabeça encostada na janela, deslizou o corpo, ajeitou o casaco, virou a bolsa e pronto, caiu num sono profundo!
Enquanto isso eu contemplava a minha agenda aberta, anotava belos compromissos miúdos e observava. Do lado de fora o mar - sempre ele! - compondo o cenário de todos os meus dias, cena pedinte de jazz e colo.
De repente um estardalhaço, um mexer-se brusco, uma vizinhança repentina, um olhar assustado, perdido no meio do ponto que já passou (imagina-se), um grito desesperado em minha direção:
- VOCÊ NEM PRA ME AVISAR!!!
Um silêncio. Ela caiu em si e viu que eu não era a vilã do sabe-se-lá-qual sonho que estava tendo. Duas pessoas sem graça. Uma situação publicamente constrangedora. Aprofunda-se o silêncio, dessa vez com tom de "desculpe-me!" seguido de um "tudo bem, acontece!". Um sinal que pede passagem (claro que eu dei, né? E rapidinho! A menina parecia ser uma fera!!!). Desceu arrasada, roxa de vergonha, coitada!
Coitada? Coitada de mim que fiquei convivendo com os olhares e o comentário do cobrador que, colocando a cabeça por fora da janela, não se conteve: "Vaaaai louca!!"
UM CANTO
Uma arte nova
entre Chaplin e O Vagabundo
que una o cinema
aos personagens do mundo.
Dói a frustração
de não tentar mudar.
Dói a sensação
de impotente labutar.
Dói o simples fato de pensar...
O solvente na película
parece desgastar.
O filme na estufa
parece queimar.
O peso sobre a foto
parece machucar.
Falou de Amor
olha o que deu no final.
Coragem ou estupidez
Ter um grande ideal?
Não canto o sofrimento
que cria a melancolia.
Não canto a embriaguez
que entorpece a boemia.
Canto uma arte nova
que nasce no momento.
Uma arte que encontra
Alegria no sofrimento!
Uma arte nova
entre Chaplin e O Vagabundo
que una o cinema
aos personagens do mundo.
Dói a frustração
de não tentar mudar.
Dói a sensação
de impotente labutar.
Dói o simples fato de pensar...
O solvente na película
parece desgastar.
O filme na estufa
parece queimar.
O peso sobre a foto
parece machucar.
Falou de Amor
olha o que deu no final.
Coragem ou estupidez
Ter um grande ideal?
Não canto o sofrimento
que cria a melancolia.
Não canto a embriaguez
que entorpece a boemia.
Canto uma arte nova
que nasce no momento.
Uma arte que encontra
Alegria no sofrimento!
FAMÍLIA TRAPO
Lembro das corridas por entre os alicerces da casa que os abrigaria por no mínimo quinze anos. Eram nos montes de areia que se revelavam as estripulias de criança. A adrenalina, representada no perigo dos pregos e materiais de construção espalhados. Tudo só revelava o meu apreço por aventuras e afins. O esconde-esconde com os irmãos que acabavam dedurando-se uns aos outros - porque a graça da brincadeira estava em revelar a toca do outro - e que não sabiam contar direito até dez.
Lembro dos gritos da minha mãe sem acreditar que seu próprio marido tinha sido cúmplice daquele absurdo: os quatro tinham pulado tanto em cima da cama de casal que a pôs diretinho pro chão. Fez um estrondo enorme, mas as gargalhadas abafaram. Abafaram nada! Meio segundo e ela estava lá, sem acreditar no que estava vendo a rir também.
Lembro das viagens anuais por esse Brasil afora. A mini-cama sob encomenda encaixada entre os bancos da frente e o de trás do carro, onde dormia a irmãzinha. Eu tinha um banco só pra mim e o mano ficava lá em cima com as caixas de som. Um belo dia ele não mais cabia lá em cima e tivemos que dividir o banco. Era tanta desolação que dormimos agarradinhos e assim chegamos em Porto Seguro. Até que éramos os três. Nós tristes por não dormir deitados e nossos pais preocupados porque estávamos crescendo. Os pais sempre se preocupam com isso...
Enfim as confusões no banco de trás. A briga pela janela, só de pirraça:
- Vou na ponta!
A "briga" agora (que um dia também será lembrança):
- Vá na ponta!
- Não, pode ir!
- Podem deixar, eu vou no meio... :)
Foi quando os dois na frente se entreolharam concluindo que não precisavam se preocupar.
Lembro das corridas por entre os alicerces da casa que os abrigaria por no mínimo quinze anos. Eram nos montes de areia que se revelavam as estripulias de criança. A adrenalina, representada no perigo dos pregos e materiais de construção espalhados. Tudo só revelava o meu apreço por aventuras e afins. O esconde-esconde com os irmãos que acabavam dedurando-se uns aos outros - porque a graça da brincadeira estava em revelar a toca do outro - e que não sabiam contar direito até dez.
Lembro dos gritos da minha mãe sem acreditar que seu próprio marido tinha sido cúmplice daquele absurdo: os quatro tinham pulado tanto em cima da cama de casal que a pôs diretinho pro chão. Fez um estrondo enorme, mas as gargalhadas abafaram. Abafaram nada! Meio segundo e ela estava lá, sem acreditar no que estava vendo a rir também.
Lembro das viagens anuais por esse Brasil afora. A mini-cama sob encomenda encaixada entre os bancos da frente e o de trás do carro, onde dormia a irmãzinha. Eu tinha um banco só pra mim e o mano ficava lá em cima com as caixas de som. Um belo dia ele não mais cabia lá em cima e tivemos que dividir o banco. Era tanta desolação que dormimos agarradinhos e assim chegamos em Porto Seguro. Até que éramos os três. Nós tristes por não dormir deitados e nossos pais preocupados porque estávamos crescendo. Os pais sempre se preocupam com isso...
Enfim as confusões no banco de trás. A briga pela janela, só de pirraça:
- Vou na ponta!
A "briga" agora (que um dia também será lembrança):
- Vá na ponta!
- Não, pode ir!
- Podem deixar, eu vou no meio... :)
Foi quando os dois na frente se entreolharam concluindo que não precisavam se preocupar.
LOVE SONG
Entre um acorde e outro ela se enroscava cada vez mais. O tom grave de sua voz não mais cedia ao timbre das lamacentas canções. Tudo era terra e suor. Som e cerveja. Frio e abraço. Pensamentos e línguas.
Quando finalmente as cordas se encontraram eles puderam cantar uma bela seqüência. Numa afinação imprópria rabiscada na resma envelhecida. Tinha guardado aquelas folhas como quem guarda um tesouro. E o era. Um pergaminho às traças, como o seu coração.
Até que um dia o dragão retornou das cinzas e a rejuvenesceu com um simples olhar. E a embebedou com um simples beijo. E a possuiu com o fogo de suas ventas. Uma descoberta melodiosa de que esses dragões têm um talento extra, além daquele de ressoar como flautas mágicas: eles abduzem.
Numa hipnose inexplicável (por que se tem que explicar tudo?) ela inconscientemente sabia estar indo para o seu disco voador. Era a terça-feira com cara de sexta e gosto de sábado à noite. Era a tarde sutil com sabores bemóis. Era o inesperado mais esperado nos últimos tempos.
Então resolveu entrar na brincadeira e finalmente misturar desenho animado com conto de fadas; agora se derretia por um dragão desfalecido e se entregava a um príncipe azul.
Perderam-se nos caminhos subjetivos da partitura...
Entre um acorde e outro ela se enroscava cada vez mais. O tom grave de sua voz não mais cedia ao timbre das lamacentas canções. Tudo era terra e suor. Som e cerveja. Frio e abraço. Pensamentos e línguas.
Quando finalmente as cordas se encontraram eles puderam cantar uma bela seqüência. Numa afinação imprópria rabiscada na resma envelhecida. Tinha guardado aquelas folhas como quem guarda um tesouro. E o era. Um pergaminho às traças, como o seu coração.
Até que um dia o dragão retornou das cinzas e a rejuvenesceu com um simples olhar. E a embebedou com um simples beijo. E a possuiu com o fogo de suas ventas. Uma descoberta melodiosa de que esses dragões têm um talento extra, além daquele de ressoar como flautas mágicas: eles abduzem.
Numa hipnose inexplicável (por que se tem que explicar tudo?) ela inconscientemente sabia estar indo para o seu disco voador. Era a terça-feira com cara de sexta e gosto de sábado à noite. Era a tarde sutil com sabores bemóis. Era o inesperado mais esperado nos últimos tempos.
Então resolveu entrar na brincadeira e finalmente misturar desenho animado com conto de fadas; agora se derretia por um dragão desfalecido e se entregava a um príncipe azul.
Perderam-se nos caminhos subjetivos da partitura...
SEMANA MUNDO UNIDO
- Por que você tem sempre tanta coisa pra resolver? Pi
- Você não tem vida! Ti
- O que é isso? ... O que é isso? ... O que é isso? ... Celo
- Amiga, você não tem tempo pra mim! Tica
- Tempo! Tempo! Tempo! Su
- Menina ocupada! Fal
- Eu te liguei milhões de vezes... Téo
- Como assim você não está estressada?!?!?! Carlos
- Mas aaaaaaah que eu não te vejo mais! Baby
- Filha, passou o dia toooooodo fora, foi!?!?! mamãe
- Como é isso mesmo? Ceiça
-Eu quero que você me explique tudo di-rei-ti-nho! Debby
- Miguita, pára quieta! Line
- Manu? Manu não pára! Leiloca
- É. Ela nunca tem tempo. Linoca
- Eu quero ver o projeto depois, viu?! Gudi
- Me diz! Me diz! Me diz! Clari
- Aaaaaah! O mesmo do ano passado? Broto
- Vou sim, mas você tem que ter tempo de ir comigo! Ana Lu
- Amiga, me liga! Mila
- etc, etc, etc! Deus e o mundo
Eis o começo de uma resposta, meus amigos:
"Viver para ficar sentados em frente à televisão horas e horas, viver somente para escutar música, viver para fazer algum passeio com os amigos; é muito pouco para um jovem. Aqui convém viver por algo que seja grande."
Chiara Lubich
Viver para comer - tá, tem uns que ainda vão à academia e dão umas namoradinhas de vez em quando. Viver para me acabar de estudar e trabalhar. Viver como plantas que nascem, crescem, reproduzem e morrem; se parar por aí é muito pouco pra mim!
Isso há de compensar as horas sobre as folhas cada vez mais rabiscadas, o fato de eu estar sempre ocupada no status, a angústia de ver "mendigos" serem assassinados friamente, o aperto no coração quando vejo aquele gurizinho lindo e inteligente vendendo bala dez horas da noite na porta do teatro, as dúvidas que a vida prega na gente, as saudades do povo que "deixei" mundo afora, a "sede" que dá no meio da madrugada... Na verdade, isso já está compensando. Mas uma coisa é certa: Talvez se tivesse mais gente comigo nessa empreitada, aaaah! O fardo ía ser beeeeem mais leve. Isso ía...
VENTOS DE FRATERNIDADE
Música
Mesa de bar
Mais música
Apresentar
Performance
Embarcar
Remar juntos
Cantar e cantar
Teatro
Incenso
mensagem
Silêncio
Música
Poesia
Folder
Pescaria
Jogo
Quiz
Gargalhadas
Atriz
Violão
Ritmo
Palmas
Sorrisos
Mensagem
Ligações
Experiências
Corações
Paraguai
Peru
Angola
Albânia
Roma
Sul
Filipinas
Amazonas
Semana
Mundo
Unido
bacana!
- Por que você tem sempre tanta coisa pra resolver? Pi
- Você não tem vida! Ti
- O que é isso? ... O que é isso? ... O que é isso? ... Celo
- Amiga, você não tem tempo pra mim! Tica
- Tempo! Tempo! Tempo! Su
- Menina ocupada! Fal
- Eu te liguei milhões de vezes... Téo
- Como assim você não está estressada?!?!?! Carlos
- Mas aaaaaaah que eu não te vejo mais! Baby
- Filha, passou o dia toooooodo fora, foi!?!?! mamãe
- Como é isso mesmo? Ceiça
-Eu quero que você me explique tudo di-rei-ti-nho! Debby
- Miguita, pára quieta! Line
- Manu? Manu não pára! Leiloca
- É. Ela nunca tem tempo. Linoca
- Eu quero ver o projeto depois, viu?! Gudi
- Me diz! Me diz! Me diz! Clari
- Aaaaaah! O mesmo do ano passado? Broto
- Vou sim, mas você tem que ter tempo de ir comigo! Ana Lu
- Amiga, me liga! Mila
- etc, etc, etc! Deus e o mundo
Eis o começo de uma resposta, meus amigos:
"Viver para ficar sentados em frente à televisão horas e horas, viver somente para escutar música, viver para fazer algum passeio com os amigos; é muito pouco para um jovem. Aqui convém viver por algo que seja grande."
Chiara Lubich
Viver para comer - tá, tem uns que ainda vão à academia e dão umas namoradinhas de vez em quando. Viver para me acabar de estudar e trabalhar. Viver como plantas que nascem, crescem, reproduzem e morrem; se parar por aí é muito pouco pra mim!
Isso há de compensar as horas sobre as folhas cada vez mais rabiscadas, o fato de eu estar sempre ocupada no status, a angústia de ver "mendigos" serem assassinados friamente, o aperto no coração quando vejo aquele gurizinho lindo e inteligente vendendo bala dez horas da noite na porta do teatro, as dúvidas que a vida prega na gente, as saudades do povo que "deixei" mundo afora, a "sede" que dá no meio da madrugada... Na verdade, isso já está compensando. Mas uma coisa é certa: Talvez se tivesse mais gente comigo nessa empreitada, aaaah! O fardo ía ser beeeeem mais leve. Isso ía...
VENTOS DE FRATERNIDADE
Música
Mesa de bar
Mais música
Apresentar
Performance
Embarcar
Remar juntos
Cantar e cantar
Teatro
Incenso
mensagem
Silêncio
Música
Poesia
Folder
Pescaria
Jogo
Quiz
Gargalhadas
Atriz
Violão
Ritmo
Palmas
Sorrisos
Mensagem
Ligações
Experiências
Corações
Paraguai
Peru
Angola
Albânia
Roma
Sul
Filipinas
Amazonas
Semana
Mundo
Unido
bacana!
24 DE AGOSTO. E VOCÊ? LEMBROU DO SEU DIA?
Peguemos o confete e a serpentina
luz alta na pista
danças e teatros
cores e vozes
porque hoje
hoje é o dia do artista!
Existe um lado meu, este meu audacioso lado, que precisa ser homenageado para compensar os tempos em que hiberna, na espreita das estrelas que passam.
É como se os dons fossem ingredientes dentro de um liquidificador, dando aos sentidos o prazer de algo gostoso que estaria por vir. Mas o eletrodoméstico é ligado antes que a tampa se encaixe no seu devido lugar. E de devido lugar ninguém mais entende a essa altura da história da humanidade!
E eu acho que na humanidade, todo mundo tem um pouco de artista...
Pouco a pouco estou aprendendo a manusear essas joças. Agora já me explicaram que antes de misturar os dons é preciso que eu não apenas os compreenda, mas que entenda a necessidade da tampa: doação do que somos é matéria e se não tem limite, perde-se.
Então agora sim, peguemos o confete e a serpentina, luz alta na pista, dons... porque hoje, hoje é o dia do liquidificador!
Peguemos o confete e a serpentina
luz alta na pista
danças e teatros
cores e vozes
porque hoje
hoje é o dia do artista!
Existe um lado meu, este meu audacioso lado, que precisa ser homenageado para compensar os tempos em que hiberna, na espreita das estrelas que passam.
É como se os dons fossem ingredientes dentro de um liquidificador, dando aos sentidos o prazer de algo gostoso que estaria por vir. Mas o eletrodoméstico é ligado antes que a tampa se encaixe no seu devido lugar. E de devido lugar ninguém mais entende a essa altura da história da humanidade!
E eu acho que na humanidade, todo mundo tem um pouco de artista...
Pouco a pouco estou aprendendo a manusear essas joças. Agora já me explicaram que antes de misturar os dons é preciso que eu não apenas os compreenda, mas que entenda a necessidade da tampa: doação do que somos é matéria e se não tem limite, perde-se.
Então agora sim, peguemos o confete e a serpentina, luz alta na pista, dons... porque hoje, hoje é o dia do liquidificador!
CLICHÊ
Uma grama fluorescente
um colo-imensidão
uma brisa, um afago
uma lágrima e um não.
Uma mensagem, uma resposta
uma dúvida de verdade.
Um reencontro, uma praça
lá no centro da cidade.
Coleção de gargalhadas
uma espera no portão
uma praia inusitada
uma bolha de sabão.
Eu vou dar a luz à lua
e beber a sua cor.
Vou jogar naquele mar
todo nosso dissabor.
Vou sentir frio de novo
pra você me aquecer.
Vou deixar a cor da lua
Para embriagar você.
Uma grama fluorescente
um colo-imensidão
uma brisa, um afago
uma lágrima e um não.
Uma mensagem, uma resposta
uma dúvida de verdade.
Um reencontro, uma praça
lá no centro da cidade.
Coleção de gargalhadas
uma espera no portão
uma praia inusitada
uma bolha de sabão.
Eu vou dar a luz à lua
e beber a sua cor.
Vou jogar naquele mar
todo nosso dissabor.
Vou sentir frio de novo
pra você me aquecer.
Vou deixar a cor da lua
Para embriagar você.
SAUDADE
Se vai por estradas que valem a pena, por sentimentos que inundam o avesso de nós mesmos; se vai nos segundos que nos foram gentilmente concedidos para viver intensa e verdadeiramente. Enquanto isso, esvai-se. Como a mão em formato de concha tentando matar a sede, enquanto a água escapa-te por entre os dedos. Como a inútil tentativa de encaixar o anel de criança no dedo inchado pelos anos que se passaram. Como a ausência da borracha na tampa de uma panela de pressão.
Detalhe saudoso e grave. Fútil e relevante. Berrante e pequeno. Previsível e inesperado.
Tudo que é, um dia se torna saudade. Que me dirás da falta de alguém?
Saudade: um detalhe submisso a um lapso de segundo. Um segundo submisso a um lapso de sentimento. Um sentimento na mão em formato de concha.
Se vai por estradas que valem a pena, por sentimentos que inundam o avesso de nós mesmos; se vai nos segundos que nos foram gentilmente concedidos para viver intensa e verdadeiramente. Enquanto isso, esvai-se. Como a mão em formato de concha tentando matar a sede, enquanto a água escapa-te por entre os dedos. Como a inútil tentativa de encaixar o anel de criança no dedo inchado pelos anos que se passaram. Como a ausência da borracha na tampa de uma panela de pressão.
Detalhe saudoso e grave. Fútil e relevante. Berrante e pequeno. Previsível e inesperado.
Tudo que é, um dia se torna saudade. Que me dirás da falta de alguém?
Saudade: um detalhe submisso a um lapso de segundo. Um segundo submisso a um lapso de sentimento. Um sentimento na mão em formato de concha.
PAZ E PENSAMENTOS
pensamentos (?)
palavras (?)
desconexão (?)
tempo (?)
Brincadeira adolescente: Escreve-se um nome na areia da praia, perto de onde chegam as ondas. Se o mar apagar, a vida apagará também...
Assim me encontrariam, escrevendo uma vez perto da onda e outra mais ao longe, sentindo-o mais longe ainda. Aquele zero na prova de matemática na oitava série doeu menos que esse zero a zero repentino. Aquela linha imaginária entre o mar e o infinito estava mais próxima do que os meus pensamentos no vazio. Mas a onda nem veio. Ela deixou a vida mesma apagar.
Só que a vida esqueceu de apagar a areia que vai da boca do estômago ao peito ofegante.
E na beira da praia, com estaca na mão, recordava: era sempre o mesmo nome, na mente, na areia e no coração...
pensamentos (?)
palavras (?)
desconexão (?)
tempo (?)
Brincadeira adolescente: Escreve-se um nome na areia da praia, perto de onde chegam as ondas. Se o mar apagar, a vida apagará também...
Assim me encontrariam, escrevendo uma vez perto da onda e outra mais ao longe, sentindo-o mais longe ainda. Aquele zero na prova de matemática na oitava série doeu menos que esse zero a zero repentino. Aquela linha imaginária entre o mar e o infinito estava mais próxima do que os meus pensamentos no vazio. Mas a onda nem veio. Ela deixou a vida mesma apagar.
Só que a vida esqueceu de apagar a areia que vai da boca do estômago ao peito ofegante.
E na beira da praia, com estaca na mão, recordava: era sempre o mesmo nome, na mente, na areia e no coração...
METAFORAÇÃO
Publicar os textos é como criar novas orações. Umas tantas coloridas e perfumadas, outras com espinhos dourados. Semelhantes a uma seqüência de códigos html compreendidos apenas pelo que escreve e o provedor.
É mágico: no início são códigos sem lógica aparente, sem beleza ou expressividade. Um simples enter em publicar e eis que aqueles códigos se escondem, dando lugar a uma mensagem com linguagens nossas. Simples e nossas. Belas e nossas. Tudo por Amor.
A minha homesoul está cheia de códigos não publicados, na pasta rascunho. Quando for conveniente, quando as alegrias faltarem fora ou ainda quando os espinhos se auto-explicarem, canto mais uma canção enquanto digitalizo outra oração.
Publicar os textos é como criar novas orações. Umas tantas coloridas e perfumadas, outras com espinhos dourados. Semelhantes a uma seqüência de códigos html compreendidos apenas pelo que escreve e o provedor.
É mágico: no início são códigos sem lógica aparente, sem beleza ou expressividade. Um simples enter em publicar e eis que aqueles códigos se escondem, dando lugar a uma mensagem com linguagens nossas. Simples e nossas. Belas e nossas. Tudo por Amor.
A minha homesoul está cheia de códigos não publicados, na pasta rascunho. Quando for conveniente, quando as alegrias faltarem fora ou ainda quando os espinhos se auto-explicarem, canto mais uma canção enquanto digitalizo outra oração.
TO FORGET.
I've been supposed to accept the other's weakness
as long as mine comes behind my pseudo-decisions.
I've been forced to take care of the other's eyes
as long as mine used to show silver tears in the darkness.
I've been looking for the other's dreams
as long as mine depends on everybody's smile.
I've been trying to forget the other's feelings
as long as mine should not be here anymore.
Thinking instead of loving.
Wanting instead of hugging.
Sinking instead of swimming.
Writing with no meaning.
I've realized such a contradiction:
After being lost and blue
I'm mostly and more then ever
Unfortunately able to forget you.
I've been supposed to accept the other's weakness
as long as mine comes behind my pseudo-decisions.
I've been forced to take care of the other's eyes
as long as mine used to show silver tears in the darkness.
I've been looking for the other's dreams
as long as mine depends on everybody's smile.
I've been trying to forget the other's feelings
as long as mine should not be here anymore.
Thinking instead of loving.
Wanting instead of hugging.
Sinking instead of swimming.
Writing with no meaning.
I've realized such a contradiction:
After being lost and blue
I'm mostly and more then ever
Unfortunately able to forget you.
DO LADO AVE-SOU
Pegadas no teto, cabelos no sul
meu sangue marrom na minha pele azul
a unha cansada dos pés encravados
naquele olhar surdo, o ouvido embaçado.
A mente que escreve o que a pena pensar
os passos que sentem o que a pele dançar.
Enquanto invade o que não lapidou
a poesia deseja o que o avesso deixou.
Pegadas no teto, cabelos no sul
meu sangue marrom na minha pele azul
a unha cansada dos pés encravados
naquele olhar surdo, o ouvido embaçado.
A mente que escreve o que a pena pensar
os passos que sentem o que a pele dançar.
Enquanto invade o que não lapidou
a poesia deseja o que o avesso deixou.
CANETAS DO MUNDO
Ter que escrever em paz mesmo se a única caneta disponível é aquela que estoura no bolso, numa tarde de verão, quase estragando a melhor calça jeans. Um lapso de descrença em todas as canetas do mundo.
O caderno em branco apertado no peito, esperando pela caneta dos sonhos. A bolsa cheia de outras canetas nulas implorando utilidade. A mão vazia, num abraço apoético, à espera da próxima caneta dourada em sincronia perfeita com o soneto incompleto; que dê sentido à música guardada na memória e preencha o caderno em branco e seu abraço solitário (numa gélida noite de inverno).
Ter que escrever em paz mesmo se a caneta disponível é aquela que, quando você menos espera, estoura no bolso, numa tarde de verão, quase estragando o melhor tecido cardiológico. Um lapso.
A culpada não é a caneta, mas você, que a colocou na posição errada, no lugar errado, talvez até mesmo no dia errado. E quando a mãe me avisou pra esperar o tempo certo de escrever minhas fábulas, eu quis escrever sonetos. E me restou a tentativa, sem palavras completas. Um soneto com meio verso borrado de palavras curiosas e emboladas. Palavras vomitadas num tecido branco. Lapso não, coragem.
Ter que escrever em paz mesmo se a única caneta disponível é aquela que estoura no bolso, numa tarde de verão, quase estragando a melhor calça jeans. Um lapso de descrença em todas as canetas do mundo.
O caderno em branco apertado no peito, esperando pela caneta dos sonhos. A bolsa cheia de outras canetas nulas implorando utilidade. A mão vazia, num abraço apoético, à espera da próxima caneta dourada em sincronia perfeita com o soneto incompleto; que dê sentido à música guardada na memória e preencha o caderno em branco e seu abraço solitário (numa gélida noite de inverno).
Ter que escrever em paz mesmo se a caneta disponível é aquela que, quando você menos espera, estoura no bolso, numa tarde de verão, quase estragando o melhor tecido cardiológico. Um lapso.
A culpada não é a caneta, mas você, que a colocou na posição errada, no lugar errado, talvez até mesmo no dia errado. E quando a mãe me avisou pra esperar o tempo certo de escrever minhas fábulas, eu quis escrever sonetos. E me restou a tentativa, sem palavras completas. Um soneto com meio verso borrado de palavras curiosas e emboladas. Palavras vomitadas num tecido branco. Lapso não, coragem.
CANTO SEM COR
Agora que voltei às cortinas e microfones entendi a angústia do teatro e do violão. Os abandonara desumanamente, como se alguém feito pra luz e sonoridade fosse ser feliz no calar-se forçado ou num canto sem cor.
Um acorde.
Uma seqüência.
Um pensamento.
Uma decisão.
O conflito dera-se quando o violão exigiu que eu fosse só dele. Recusei a proposta. Hoje renegociamos eu e meu eu-lírico. Renegociamos pra que aquele pensamento e aquela decisão não sejam apenas ilustres abstrações. O eu-lírico mandou dizer que a autora está feliz, ainda que a tristeza ameace adentrar aquela porta. Feliz porque o sentido do texto anterior foi encontrado acima de uma nuvem e essa nuvem segura a porta pra mim e me abre caminhos!
Agora que voltei às cortinas e microfones entendi a angústia do teatro e do violão. Os abandonara desumanamente, como se alguém feito pra luz e sonoridade fosse ser feliz no calar-se forçado ou num canto sem cor.
Um acorde.
Uma seqüência.
Um pensamento.
Uma decisão.
O conflito dera-se quando o violão exigiu que eu fosse só dele. Recusei a proposta. Hoje renegociamos eu e meu eu-lírico. Renegociamos pra que aquele pensamento e aquela decisão não sejam apenas ilustres abstrações. O eu-lírico mandou dizer que a autora está feliz, ainda que a tristeza ameace adentrar aquela porta. Feliz porque o sentido do texto anterior foi encontrado acima de uma nuvem e essa nuvem segura a porta pra mim e me abre caminhos!
CORDEL DE MINHA GENTE
Hoje me lembrei de tanta gente...
Gente que "saiu do país"
mas ainda me viu cantar
Gente que lá se casava
Bélgica que me visitava
Gente muito preocupada
por faltar filme "de mim"
Gente que me chama "pessoa"
Gente pequena assim
Gente que acredita colar
namoro ou vaso quebrado
Gente que virtualmente
trouxe Ibiporã pro meu lado
Gente daqui da "rocinha"
que se foi lá pra São Paulo
Gente de lá do Bonfim
que me surpreendeu de verdade
Gente que é sua namorada
que mora pra cá da cidade
Gente com T bem grilada
que é gente do meu coração
Gente furta-cor, lilás
Gente que ficou pra trás.
Gente com quem somo o quarto
que eu sei que posso contar
Gente que "sempre" foi homem
e me permitira voar
Gente que cresceu de repente
e já me "proibiu" de sair
Mulherão do quarto ao lado
que depois de dar bronca sorri
Pais de outros emprestados
Amigos solidários
Espectro de unidade sonhada
pra levar ao mundo uma luz
Gente que vai e que vem
Gente que ainda virá
Vovô que é estrela no céu
Vovó que é rainha, quiçá?
Os dois que por aqui ainda estão
fortaleza, recanto, canção
Tios que bem longe se encontram
Família é igual a união.
Dindinha que é mãe sempre ao lado
O dindo de beijo estalado
Primarada espalhada no chão
todo mundo com cartas na mão
corredor, saleta, o salão
tudo repleto de colchão
amigos, imagem&Ação
Fortaleza lá do Ceará
Precisa-se com Dani cantar
E aqueles do tio Vavá
que tento encontrar também
Cada um goza das presenças
de acordo com a vida que tem...
Gente que agora tem filha
Família lá no Paraná
Os amigos lá do Recife
Gaúcho encontrado por lá
Gente sem o te vira Gen
ah! esses deixa pra lá...
saudade quando bate assim
pílula de presente pra mim...
Gente em Londres perdida
Sampa, UK, Callan School
Porto Alegre by London, cadê?
Gente que lá se casou
Gente que cantando e encantando
depois de sofrer se encontrou
Vizinhos, inquilinos, amigos
Polonês, brasileiro, african,
Paulete, Ângela, Natalie
Marcelão, Paulinho, Gihan
metro, cab, bus, tudo ali.
Gente por esse mundão
que é gente que sabe amar
que acredita que é massa viver
por um Deus que se pode tocar.
Gente que eu nem citei
Gente que não conhecia
Gente por quem me gamei
Gente que beijei um dia
Gentinha decepção
Gente você do outro lado
Gente admiração
Gente, coração tá apertado!
gente que um dia já fui
gente que é pingo de gente
gente que eu quero ser
gente que até hoje aprende
gente que não sabe nada
gente que queria saber
gente que deseja tanto
gente que teme o poder
gente que queria um encanto
gente que cantar adora
gente que às vezes chora
gente que fala demais
gente que se me deixassem
escrevia, sem saber, muito mais.
Hoje me lembrei de tanta gente...
Gente que "saiu do país"
mas ainda me viu cantar
Gente que lá se casava
Bélgica que me visitava
Gente muito preocupada
por faltar filme "de mim"
Gente que me chama "pessoa"
Gente pequena assim
Gente que acredita colar
namoro ou vaso quebrado
Gente que virtualmente
trouxe Ibiporã pro meu lado
Gente daqui da "rocinha"
que se foi lá pra São Paulo
Gente de lá do Bonfim
que me surpreendeu de verdade
Gente que é sua namorada
que mora pra cá da cidade
Gente com T bem grilada
que é gente do meu coração
Gente furta-cor, lilás
Gente que ficou pra trás.
Gente com quem somo o quarto
que eu sei que posso contar
Gente que "sempre" foi homem
e me permitira voar
Gente que cresceu de repente
e já me "proibiu" de sair
Mulherão do quarto ao lado
que depois de dar bronca sorri
Pais de outros emprestados
Amigos solidários
Espectro de unidade sonhada
pra levar ao mundo uma luz
Gente que vai e que vem
Gente que ainda virá
Vovô que é estrela no céu
Vovó que é rainha, quiçá?
Os dois que por aqui ainda estão
fortaleza, recanto, canção
Tios que bem longe se encontram
Família é igual a união.
Dindinha que é mãe sempre ao lado
O dindo de beijo estalado
Primarada espalhada no chão
todo mundo com cartas na mão
corredor, saleta, o salão
tudo repleto de colchão
amigos, imagem&Ação
Fortaleza lá do Ceará
Precisa-se com Dani cantar
E aqueles do tio Vavá
que tento encontrar também
Cada um goza das presenças
de acordo com a vida que tem...
Gente que agora tem filha
Família lá no Paraná
Os amigos lá do Recife
Gaúcho encontrado por lá
Gente sem o te vira Gen
ah! esses deixa pra lá...
saudade quando bate assim
pílula de presente pra mim...
Gente em Londres perdida
Sampa, UK, Callan School
Porto Alegre by London, cadê?
Gente que lá se casou
Gente que cantando e encantando
depois de sofrer se encontrou
Vizinhos, inquilinos, amigos
Polonês, brasileiro, african,
Paulete, Ângela, Natalie
Marcelão, Paulinho, Gihan
metro, cab, bus, tudo ali.
Gente por esse mundão
que é gente que sabe amar
que acredita que é massa viver
por um Deus que se pode tocar.
Gente que eu nem citei
Gente que não conhecia
Gente por quem me gamei
Gente que beijei um dia
Gentinha decepção
Gente você do outro lado
Gente admiração
Gente, coração tá apertado!
gente que um dia já fui
gente que é pingo de gente
gente que eu quero ser
gente que até hoje aprende
gente que não sabe nada
gente que queria saber
gente que deseja tanto
gente que teme o poder
gente que queria um encanto
gente que cantar adora
gente que às vezes chora
gente que fala demais
gente que se me deixassem
escrevia, sem saber, muito mais.
HUMILDADE (HEIN?) FALTA
As folhinhas do nosso peito caindo e deixando galhos secos... mas a primavera retorna.
Ainda é preciso apurar a sensibilidade e perceber mais os brotos e flores que as folhas caídas... mas folhas caídas são belas também... O equilíbrio da natureza é estonteante! Como será que ela consegue?
Bate então aquela saudade de quando o mundo podia até desabar que não tiraria a minha paz. Um estado de espírito, uma mistura de fé e ousadia, um medo às avessas, colóquios de alma que repercutiam no dia-a-dia de maneira extraordinariamente bela.
Aí vem a vida, te toma o equilíbrio e não devolve enquanto não reconquistares a tua humildade. Acho que foi mesmo isso que aconteceu comigo. Cumprir missões sem entendê-las seria meio complicado quando um sentido como esse está em jogo... Mas entendi: ataque esporádico de falta de humildade! Um desses defeitos que ninguém acredita que você tenha lá no fundo, ainda que de vez em quando.
As folhinhas do nosso peito caindo e deixando galhos secos... mas a primavera retorna.
Ainda é preciso apurar a sensibilidade e perceber mais os brotos e flores que as folhas caídas... mas folhas caídas são belas também... O equilíbrio da natureza é estonteante! Como será que ela consegue?
Bate então aquela saudade de quando o mundo podia até desabar que não tiraria a minha paz. Um estado de espírito, uma mistura de fé e ousadia, um medo às avessas, colóquios de alma que repercutiam no dia-a-dia de maneira extraordinariamente bela.
Aí vem a vida, te toma o equilíbrio e não devolve enquanto não reconquistares a tua humildade. Acho que foi mesmo isso que aconteceu comigo. Cumprir missões sem entendê-las seria meio complicado quando um sentido como esse está em jogo... Mas entendi: ataque esporádico de falta de humildade! Um desses defeitos que ninguém acredita que você tenha lá no fundo, ainda que de vez em quando.
DIÁRIAS
Interrogações se iam e novas assinavam contrato. A simplicidade do estabelecimento não satisfez essa laia-perseguição. Quem disse que olhares são simples? Ok, são sim, mas não dependem de um único sentido...
No hall dos sentidos, as perguntas se desesperam quando não têm vez. Mas ali elas se alojavam, confortavelmente instaladas, hospedeiras perigosas que, na ausência das palavras, se sentiam ainda mais à vontade pra consumir todas as energias do albergo.
Foi quando a gerente Emoção saiu do plantão e deixou os encargos para o Pensamento. Eles se revezam... Conseguem chegar a um acordo às vezes, mas foi essa a metodologia mais confortável que encontraram para resolver os problemas de tantas perguntas a entrar e sair e entrar. Eles também entram e saem...
Esse ramo é realmente difícil, te exige jogo de cintura, poder administrativo e a famosa inteligência emocional. Certa feita o Pensamento não agüentou a bagunça das perguntas: "Quem manda aqui sou eu! Saiam desse sofá, apaguem a luz e essa ladainha ridícula". A camareira pôs tudo em ordem, cumprindo ordem. Vasculhou cada ângulo que recordasse a presença das hóspedes malditas.
- Sintam-se à vontade para bater retirada...
- Sra. Pergunta-por-alguém, faz o favor de deixar assinado com o nome certo o recibo de pagamento.
- Sr. Por Que, não precisa pagar, já que não nos interessa registros timbrados da sua temível passagem por nossos cômodos.
- Sra. Pergunta-quem-sou, tem um quartinho ali nos fundos. Se a senhora quiser, pode ficar por lá, já que de vez em quando são úteis os seus serviços.
Até a dona Quem-sou acabou indo embora também por força das circunstâncias, mas deixou um e-mail para contato.
As palavras...? Ah sim! Chegaram no turno da Emoção, saudosa das perguntas que enriquecem. As palavras tinham tantas frases prontas que a emoção as colocou pra fora. Além do mais, não fazia sentido deixá-las dominar já que mais vale um olhar que revela a alma...
Alma. Esse hotel vai acabar indo à falência se não encontrar gerentes mais transigentes e preparados.
Interrogações se iam e novas assinavam contrato. A simplicidade do estabelecimento não satisfez essa laia-perseguição. Quem disse que olhares são simples? Ok, são sim, mas não dependem de um único sentido...
No hall dos sentidos, as perguntas se desesperam quando não têm vez. Mas ali elas se alojavam, confortavelmente instaladas, hospedeiras perigosas que, na ausência das palavras, se sentiam ainda mais à vontade pra consumir todas as energias do albergo.
Foi quando a gerente Emoção saiu do plantão e deixou os encargos para o Pensamento. Eles se revezam... Conseguem chegar a um acordo às vezes, mas foi essa a metodologia mais confortável que encontraram para resolver os problemas de tantas perguntas a entrar e sair e entrar. Eles também entram e saem...
Esse ramo é realmente difícil, te exige jogo de cintura, poder administrativo e a famosa inteligência emocional. Certa feita o Pensamento não agüentou a bagunça das perguntas: "Quem manda aqui sou eu! Saiam desse sofá, apaguem a luz e essa ladainha ridícula". A camareira pôs tudo em ordem, cumprindo ordem. Vasculhou cada ângulo que recordasse a presença das hóspedes malditas.
- Sintam-se à vontade para bater retirada...
- Sra. Pergunta-por-alguém, faz o favor de deixar assinado com o nome certo o recibo de pagamento.
- Sr. Por Que, não precisa pagar, já que não nos interessa registros timbrados da sua temível passagem por nossos cômodos.
- Sra. Pergunta-quem-sou, tem um quartinho ali nos fundos. Se a senhora quiser, pode ficar por lá, já que de vez em quando são úteis os seus serviços.
Até a dona Quem-sou acabou indo embora também por força das circunstâncias, mas deixou um e-mail para contato.
As palavras...? Ah sim! Chegaram no turno da Emoção, saudosa das perguntas que enriquecem. As palavras tinham tantas frases prontas que a emoção as colocou pra fora. Além do mais, não fazia sentido deixá-las dominar já que mais vale um olhar que revela a alma...
Alma. Esse hotel vai acabar indo à falência se não encontrar gerentes mais transigentes e preparados.
(de diários...) SEM ALÇA
Viagens são maravilhosas sempre.
Fazer malas, às vezes. Desfaze-las, nunca!
A dessa madrugada não serão arrumadas tão cedo... nem sei se dará tempo...
Ah! Contanto que leve minha alma daqui já tá de bom tamanho...
Mente sã em corpo são? Mente turbulenta em corpo inerte!
Hora de reverter essa situação, ainda que viajando “com a roupa do corpo”!
DECOLAGEM
Cozinha, feira, caronas, aeroporto. Despedida num abraço coletivo para passar mais uma vez pela porta que liga o Brasil ao resto do mundo.
Nada como uma nota atrás da outra. Amizade em si já é uma sinfonia. Olha, lá se vão meus passos desenhando a infinita partitura que toca a vontade de viver intensamente.
ITÁLICA ALMA NA MALA
Uma calça de malha
rasgada nos pés.
Uma saia rodada
vestidos, anéis.
Rodinhas quebradas
como me movo?
sacola pesada
biscoito, miojo.
Passagem do corpo
hoje, talvez...
Passagem do espírito
já fui, já voltei...
Me queimo no ferro
esfrio a cabeça
esquento o lençol
te derreto ou me esqueça
Viagem marcada
caminho sem fim:
Passar minha alma
e trazer um jardim.
Viagens são maravilhosas sempre.
Fazer malas, às vezes. Desfaze-las, nunca!
A dessa madrugada não serão arrumadas tão cedo... nem sei se dará tempo...
Ah! Contanto que leve minha alma daqui já tá de bom tamanho...
Mente sã em corpo são? Mente turbulenta em corpo inerte!
Hora de reverter essa situação, ainda que viajando “com a roupa do corpo”!
DECOLAGEM
Cozinha, feira, caronas, aeroporto. Despedida num abraço coletivo para passar mais uma vez pela porta que liga o Brasil ao resto do mundo.
Nada como uma nota atrás da outra. Amizade em si já é uma sinfonia. Olha, lá se vão meus passos desenhando a infinita partitura que toca a vontade de viver intensamente.
ITÁLICA ALMA NA MALA
Uma calça de malha
rasgada nos pés.
Uma saia rodada
vestidos, anéis.
Rodinhas quebradas
como me movo?
sacola pesada
biscoito, miojo.
Passagem do corpo
hoje, talvez...
Passagem do espírito
já fui, já voltei...
Me queimo no ferro
esfrio a cabeça
esquento o lençol
te derreto ou me esqueça
Viagem marcada
caminho sem fim:
Passar minha alma
e trazer um jardim.
SOBRE O QUE LÁ VIVI
Abraços apertados
Sorrisos largos
teatros registrados
reencontros esperados
desencontros superados
papos desencontrados
sofá e filmes bizarros
som e planos atrapalhados
carros envenenados
grupos abraçados
encontros aperfeiçoados
confidências
paciência
eloqüência
coincidências
espíritos alargados
...
Vida pulsante registrada apenas no blog de minh'alma, sussurradas no pé do ouvido de Deus. Quem viveu fui eu. Está tudo a salvo de bugs e hackers.
Abraços apertados
Sorrisos largos
teatros registrados
reencontros esperados
desencontros superados
papos desencontrados
sofá e filmes bizarros
som e planos atrapalhados
carros envenenados
grupos abraçados
encontros aperfeiçoados
confidências
paciência
eloqüência
coincidências
espíritos alargados
...
Vida pulsante registrada apenas no blog de minh'alma, sussurradas no pé do ouvido de Deus. Quem viveu fui eu. Está tudo a salvo de bugs e hackers.
(de diários...) VIVER PELOS QUE PASSAM
Aí a gente tava lá gritando sorridente: "Chega mais freguesa!... é um real, é cinqüenta centavos...". Uma alegria que sabíamos de onde vinha. Chegava a ser engraçado. No início foi um pouco decepcionante. Gritavam, pegavam as roupas, pediam desconto, pagavam, saiam e acabavam levando uns "extras" nem calculados nem esperados por nós. Loucura. Prejuízo. Depois nos acalmamos, o ambiente se acalmou também. As feirantes vizinhas, que estão sempre por ali, vinham comprar na nossa mão pra revender depois. Era cada uma.
Mas foi gratificante! Impressionante como chegava um e ali mesmo já contava a própria vida. A senhora cheia de vestidos e maquiagem, freguesa das bôa, nos deu oito mangas que dividimos por dois (risos). A senhora gordita que perguntou com sotaque pra lá de carregado:
- diabéisso?
- É uma canga, pra ir pra praia
- Ah! Não. tudo que eu tinha pra mostrar já mostrei...
O senhor que queria porque queria que a gente arranjasse uma calça pra ele.
- Mas senhor, não tem mesmo, acabaram todas.
- Não, mas veja bem. Eu tô precisando, eu sou magrinho, e tal e coisa e coisa e tal...
- Humrum...
Até que chegou o seu Samuel, senhor de seus cinqüenta anos, estacionou sua "baratinha" vermelha, desceu do carro, ficou observando a gente até que resolveu vir em nossa direção. Já chegou fofo:
- Bom dia! Vocês vendem aqui, é?
- É (com tom de é e não é).
- hum... é pra ajudar alguém? vocês vendem baratinho, né?
- É sim, é pra ajudar umas amigas nossas. R$1, R$0,50...
- Ah! Então eu vou trazer umas das minhas filhas. Elas estão vindo do RN tão precisadas de roupa...
E começou a contar uma história linda, que ele já está acostumado a contar lá nos AA, do qual é coordenador de três grupos e participa há uns 3 anos, depois de ter feito tantas coisas que... ah! As coisas que seu Samuel já fez na vida, ficam no coração.
Aí a gente tava lá gritando sorridente: "Chega mais freguesa!... é um real, é cinqüenta centavos...". Uma alegria que sabíamos de onde vinha. Chegava a ser engraçado. No início foi um pouco decepcionante. Gritavam, pegavam as roupas, pediam desconto, pagavam, saiam e acabavam levando uns "extras" nem calculados nem esperados por nós. Loucura. Prejuízo. Depois nos acalmamos, o ambiente se acalmou também. As feirantes vizinhas, que estão sempre por ali, vinham comprar na nossa mão pra revender depois. Era cada uma.
Mas foi gratificante! Impressionante como chegava um e ali mesmo já contava a própria vida. A senhora cheia de vestidos e maquiagem, freguesa das bôa, nos deu oito mangas que dividimos por dois (risos). A senhora gordita que perguntou com sotaque pra lá de carregado:
- diabéisso?
- É uma canga, pra ir pra praia
- Ah! Não. tudo que eu tinha pra mostrar já mostrei...
O senhor que queria porque queria que a gente arranjasse uma calça pra ele.
- Mas senhor, não tem mesmo, acabaram todas.
- Não, mas veja bem. Eu tô precisando, eu sou magrinho, e tal e coisa e coisa e tal...
- Humrum...
Até que chegou o seu Samuel, senhor de seus cinqüenta anos, estacionou sua "baratinha" vermelha, desceu do carro, ficou observando a gente até que resolveu vir em nossa direção. Já chegou fofo:
- Bom dia! Vocês vendem aqui, é?
- É (com tom de é e não é).
- hum... é pra ajudar alguém? vocês vendem baratinho, né?
- É sim, é pra ajudar umas amigas nossas. R$1, R$0,50...
- Ah! Então eu vou trazer umas das minhas filhas. Elas estão vindo do RN tão precisadas de roupa...
E começou a contar uma história linda, que ele já está acostumado a contar lá nos AA, do qual é coordenador de três grupos e participa há uns 3 anos, depois de ter feito tantas coisas que... ah! As coisas que seu Samuel já fez na vida, ficam no coração.
JÁ QUE NÃO CHEGAM AS FÉRIAS
Decreto louco na madrugada: Hoje eu viverei 3 horas como se fosse um dia de folga!
2 reuniões, 3 compromissos, 1 entrevista e 1 livro de 380 páginas; tudo vai esperar, porque eu não consigo mais.
Praia e de cara, ao nascer do sol, uma fotografia que queria ter tirado: duas pescadoras esperando o clique, jogando o anzol, vestindo trilhões de peças e adereços naquele sol devasso.
- O que vocês pescam aqui nesse raso? Perguntei curiosa.
- Peixe! (quase desisto da entrevista inusitada, mas a minha teimosia normalmente fala mais alto).
- Sim... mas que tipo de peixe tem aqui?
- Nenhum!
- ????
- Não tem nada, minha filha. (Dessa vez mais doce).
- ah...
Silêncio.
- Mas por que vocês não vão pescar em outro lugar?
- Nada! Tá tudo assim. Tem mais peixe não, nesse mundo...
Céu azul, coqueiral, vento forte, água límpida e pés descalços. Uma canção ao longe, uma ligação de longe, outra para longe. Andar até bem longe...
Encontros e papo legal. Castelo de areia, água de coco, pele ardente.
Eu, Duracell, retorno aos meus anzóis, tentando antes encontrar onde estão os peixes nesse mundo.
Decreto louco na madrugada: Hoje eu viverei 3 horas como se fosse um dia de folga!
2 reuniões, 3 compromissos, 1 entrevista e 1 livro de 380 páginas; tudo vai esperar, porque eu não consigo mais.
Praia e de cara, ao nascer do sol, uma fotografia que queria ter tirado: duas pescadoras esperando o clique, jogando o anzol, vestindo trilhões de peças e adereços naquele sol devasso.
- O que vocês pescam aqui nesse raso? Perguntei curiosa.
- Peixe! (quase desisto da entrevista inusitada, mas a minha teimosia normalmente fala mais alto).
- Sim... mas que tipo de peixe tem aqui?
- Nenhum!
- ????
- Não tem nada, minha filha. (Dessa vez mais doce).
- ah...
Silêncio.
- Mas por que vocês não vão pescar em outro lugar?
- Nada! Tá tudo assim. Tem mais peixe não, nesse mundo...
Céu azul, coqueiral, vento forte, água límpida e pés descalços. Uma canção ao longe, uma ligação de longe, outra para longe. Andar até bem longe...
Encontros e papo legal. Castelo de areia, água de coco, pele ardente.
Eu, Duracell, retorno aos meus anzóis, tentando antes encontrar onde estão os peixes nesse mundo.
MUTANTE
"O cinema será encarado por algum tempo como uma curiosidade científica, mas não tem futuro comercial."
Auguste Lumière, 1895, a respeito de seu próprio invento
"A televisão não dará certo. As pessoas terão de ficar olhando sua tela, e a família americana média não tem tempo para isso."
'The New York Times', 18/04/39, na apresentação do protótipo de um aparelho de TV
"O avião é um invento interessante, mas não vejo nele qualquer utilidade militar."
Marechal Foch, titular de estratégia na Escola Superior de Guerra da França, 1911
Agora você vem me dizer que eu não posso mudar de idéia?!?!?!
"O cinema será encarado por algum tempo como uma curiosidade científica, mas não tem futuro comercial."
Auguste Lumière, 1895, a respeito de seu próprio invento
"A televisão não dará certo. As pessoas terão de ficar olhando sua tela, e a família americana média não tem tempo para isso."
'The New York Times', 18/04/39, na apresentação do protótipo de um aparelho de TV
"O avião é um invento interessante, mas não vejo nele qualquer utilidade militar."
Marechal Foch, titular de estratégia na Escola Superior de Guerra da França, 1911
Agora você vem me dizer que eu não posso mudar de idéia?!?!?!
COMPUTADOR É ASSIM, GENTE NÃO!
Computador é assim: você deixa fazendo o download enquanto o monitor está desligado, escolhe se a impressora e os sound boxes funcionarão ou não.
Protesto! Não possuímos zonas elétricas distintas com funções independentes. Favor refletir bem antes de colocar algum gerador em função on, porque não temos botão de (des)liga.
Computador é assim: você deixa fazendo o download enquanto o monitor está desligado, escolhe se a impressora e os sound boxes funcionarão ou não.
Protesto! Não possuímos zonas elétricas distintas com funções independentes. Favor refletir bem antes de colocar algum gerador em função on, porque não temos botão de (des)liga.
GREVE
Pois bem, agora voltaremos todos para as aulinhas e vagamente discutiremos política na hora do recreio. Como meros adolescente que acham que finalmente cresceram.
Ao invés de louváveis atitudes de meninos crescidos, temos uma greve furada, uma manifestação vergonhosa, uma revolução inútil e paredes pichadas. Assim voltam todos com o rabinho entre as pernas. Prevalece, no entanto, o mesmo discurso de vítimas para mascarar o ego ferido daqueles que acreditam ser Max do novo século. Uma narcisista e forjada mistura de Bin Laden com Caetano e Gil. Pseudo-intelectuais que, na tentativa de mostrar-se heróis ferozes e corajosos, bradam irracionalmente e fazem com que passemos o São João preocupados em dar conta de todos os corriqueiros compromissos de fim de semestre!
Eis no que deu a "primeira greve dos estudantes da UCSAL após 18 anos": mensalidade estável, 'fechamento' oficial das contas da faculdade, 36 milhões roubados e não se fala mais nisso, uma esperança comprometida, aulas adentrando o mês de julho e a falta da razão que a gente tinha. Tinha.
Pois bem, agora voltaremos todos para as aulinhas e vagamente discutiremos política na hora do recreio. Como meros adolescente que acham que finalmente cresceram.
Ao invés de louváveis atitudes de meninos crescidos, temos uma greve furada, uma manifestação vergonhosa, uma revolução inútil e paredes pichadas. Assim voltam todos com o rabinho entre as pernas. Prevalece, no entanto, o mesmo discurso de vítimas para mascarar o ego ferido daqueles que acreditam ser Max do novo século. Uma narcisista e forjada mistura de Bin Laden com Caetano e Gil. Pseudo-intelectuais que, na tentativa de mostrar-se heróis ferozes e corajosos, bradam irracionalmente e fazem com que passemos o São João preocupados em dar conta de todos os corriqueiros compromissos de fim de semestre!
Eis no que deu a "primeira greve dos estudantes da UCSAL após 18 anos": mensalidade estável, 'fechamento' oficial das contas da faculdade, 36 milhões roubados e não se fala mais nisso, uma esperança comprometida, aulas adentrando o mês de julho e a falta da razão que a gente tinha. Tinha.
AINDA QUE NÃO DIGAS QUEM SOU
Parece que minha outra parte esqueceu-se de mim.
Diga-me uma singela certeza.
A preciosa cama sem lastros, onde durmo em lençóis de dor e carinhos do vento frio.
Abrace-me como se o dia de hoje fosse um ontem estampado no tempo da arte-mãe.
E arte tem mãe?
Minha mãe foi ali, comprar pão. Voltou não...
Meus amigos estão na serra, construindo projetos inúteis que não duram pra sempre.
Meus projetos duram pra sempre?
Faça-me um projeto eterno.
A crise do querer o que passa é também passageira?
Conte-me uma história de amor em lânguidos beijos fugazes.
Passe-me o açúcar.
Quero o carpe diem que vale.
Cantar dos montes-arranha-céus, onde meu matahal é você, com aquele cheiro amargo.
Deguste-me com ouvidos puros e absurdos.
Porque desde aquele dia não consigo viver.
Tento cantar a canção não feita que não me sai da cabeça.
Cante-me uma cantiga de amor, ainda que não digas que sou.
Parece que minha outra parte esqueceu-se de mim.
Diga-me uma singela certeza.
A preciosa cama sem lastros, onde durmo em lençóis de dor e carinhos do vento frio.
Abrace-me como se o dia de hoje fosse um ontem estampado no tempo da arte-mãe.
E arte tem mãe?
Minha mãe foi ali, comprar pão. Voltou não...
Meus amigos estão na serra, construindo projetos inúteis que não duram pra sempre.
Meus projetos duram pra sempre?
Faça-me um projeto eterno.
A crise do querer o que passa é também passageira?
Conte-me uma história de amor em lânguidos beijos fugazes.
Passe-me o açúcar.
Quero o carpe diem que vale.
Cantar dos montes-arranha-céus, onde meu matahal é você, com aquele cheiro amargo.
Deguste-me com ouvidos puros e absurdos.
Porque desde aquele dia não consigo viver.
Tento cantar a canção não feita que não me sai da cabeça.
Cante-me uma cantiga de amor, ainda que não digas que sou.
OPINIÃO E MEDO
- Você acredita que sendo fiel a uma única pessoa você vai ser feliz, é?
- Acredito sim!
- Hum... E como é que você garante que a pessoa vai ser fiel a você? E se você descobrir que ela te traía? Te fez de otário? E se...?
- Ééé... beeem... é, pensan-san-ssssss-sando bem...
Não se sabe mais defender as próprias opiniões. Quanto mais insosso o argumento contra o posicionamento que se tem, mais se gagueja pra chegar a um discurso retoricamente bonito... dane-se a beleza retórica nessas horas. Precisa-se de quem sustente as próprias idéias. Idéias e escolhas.
A falta de ideais sólidos funde preguiça a argumentos gasosos. Sou assim. Penso assim. Quero assado. Não se trata de prepotência - aliás esse seria motivo pra um outro texto. A questão é a importância de decidir pelo que é melhor pra si e assumir isso diante dos outros. Sem se fazer de vítima dos próprios sins e nãos, por favor.
Sair de um emprego visto como perfeito por todos, terminar um namoro que mais parecia dar em casório, permanecer virgem, parar de fumar, pedir perdão... sob o respaldo da auto-suficiência constrói-se argumentos lógicos para si mesmo. Nada como encher o peito de ar e declarar corajosa e delicadamente, em forma de atitude sublime: "Eu sou senhora das minhas escolhas". Está imposto o respeito. Concordem ou não!
- Você acredita que sendo fiel a uma única pessoa você vai ser feliz, é?
- Acredito sim!
- Hum... E como é que você garante que a pessoa vai ser fiel a você? E se você descobrir que ela te traía? Te fez de otário? E se...?
- Ééé... beeem... é, pensan-san-ssssss-sando bem...
Não se sabe mais defender as próprias opiniões. Quanto mais insosso o argumento contra o posicionamento que se tem, mais se gagueja pra chegar a um discurso retoricamente bonito... dane-se a beleza retórica nessas horas. Precisa-se de quem sustente as próprias idéias. Idéias e escolhas.
A falta de ideais sólidos funde preguiça a argumentos gasosos. Sou assim. Penso assim. Quero assado. Não se trata de prepotência - aliás esse seria motivo pra um outro texto. A questão é a importância de decidir pelo que é melhor pra si e assumir isso diante dos outros. Sem se fazer de vítima dos próprios sins e nãos, por favor.
Sair de um emprego visto como perfeito por todos, terminar um namoro que mais parecia dar em casório, permanecer virgem, parar de fumar, pedir perdão... sob o respaldo da auto-suficiência constrói-se argumentos lógicos para si mesmo. Nada como encher o peito de ar e declarar corajosa e delicadamente, em forma de atitude sublime: "Eu sou senhora das minhas escolhas". Está imposto o respeito. Concordem ou não!
NÃO PRECISA ESTUDAR
Hoje me disseram que estudante de comunicação não precisava estudar.
Agora vejamos: Se não se estuda muito além do que se pede, talvez até dê pra ficar arrastado, ir para a prova final e depois de estudar bastante para riscar papéis inúteis, alcançar a pontuação necessária.
Ocorre que, diante da vida se sente a necessidade de estudar cada vez mais, na vontade de despachar a mediocridade. Não é uma descoberta atual essa, mas a de que os alunos de comunicação não precisam estudar, aí vocês vão me desculpar, caros despeitados. "No dia em que a terra parar" posso até pensar em estagnar junto. Quanto àqueles que ainda não entraram no ritmo, "atenção ao dobrar uma esquina". A gente conversa em 2010!
Hoje me disseram que estudante de comunicação não precisava estudar.
Agora vejamos: Se não se estuda muito além do que se pede, talvez até dê pra ficar arrastado, ir para a prova final e depois de estudar bastante para riscar papéis inúteis, alcançar a pontuação necessária.
Ocorre que, diante da vida se sente a necessidade de estudar cada vez mais, na vontade de despachar a mediocridade. Não é uma descoberta atual essa, mas a de que os alunos de comunicação não precisam estudar, aí vocês vão me desculpar, caros despeitados. "No dia em que a terra parar" posso até pensar em estagnar junto. Quanto àqueles que ainda não entraram no ritmo, "atenção ao dobrar uma esquina". A gente conversa em 2010!
NO DIA EM QUE CHOVERAM AS ÁGUAS E AS IDÉIAS - E VOLTOU A VONTADE DE ESCREVER
Trajeto triplicado, mais de três horas de imobilidade tripla dentro de um ônibus que nada. Ansiedade para não atrasar no segundo dia de trabalho,e esforço para memorizar as faces de todas as criaturas dos veículos ao lado, identificar todas as figuras e se comunicar com muitos deles, crianças!
Até que aquele jogo perdeu a graça. Não queria mais brincar! Dor na cabeça e no traseiro, livro retomado por inúmeras vezes, descartado, celular sem bateria, rio amarronzado em plena orla marítima. Fechem as portas do céu!
E minha fase sensível tinha que vir à tona, afinal de contas, quando não se tem exatamente com o quê se ocupar, a mente começa a vagar por subjeções nem sempre desejadas...
Ultimamente sumi. Muita coisa mudou e conseqüentemente foram se organizando "aqui dentro". Após divagações sobre o significado dessa tal serenidade que bateu à porta, descobertas acadêmicas empolgantes, novo emprego e terrorismo, esse blog ficou em último plano...
Debaixo da tempestade de canivete, eis que me vem à memória o mesmo menino, pés no chão, shorts rotineiros, rasgados e sujos, sorriso largo, meiguice no olhar... O mesmo moleque que encontro todos os sábados, o mesmo que almoçou comigo à mesa do restaurante com olhares reprovativos esfriando a comida alheia. Será que mora numa daquelas muitas casas que hão de deslizar? Será que passa um frio tão cruel quanto aquele do restaurante? Será que tem cobertor? Desliguem essa merda desse ar-condicionado! Chove lá fora e a gente aqui, usando essa joça! Chove lá fora...
Pensamentos inflamados na faculdade que aumentou a mensalidade em 16%; no país que perdeu 198 pessoas; no acampamento que fechou as portas da Federal. Pensamentos ardentes no show da Concha Acústica; na roda de capoeira; na aula de Pesquisa. Pensamentos inflamados ao escrever poesia, ao relatar esses fatos, ao cantar uma canção. Pensamentos inflamados pelas favelas da cidade, onde foram parar então?
Sensibilidade à flor da pele, na alma, na ponta dos dedos e dos neurônios, no pulso que "ainda pulsa". Paz de espírito comprometida. Revolução se faz assim? Digo com fogo nessas veias: "enquanto a chama arder", quero a inflamável possibilidade de sacralizar tudo que move. E não é preciso residir aqui ou ali para entender esse "desespero" aí...
Trajeto triplicado, mais de três horas de imobilidade tripla dentro de um ônibus que nada. Ansiedade para não atrasar no segundo dia de trabalho,e esforço para memorizar as faces de todas as criaturas dos veículos ao lado, identificar todas as figuras e se comunicar com muitos deles, crianças!
Até que aquele jogo perdeu a graça. Não queria mais brincar! Dor na cabeça e no traseiro, livro retomado por inúmeras vezes, descartado, celular sem bateria, rio amarronzado em plena orla marítima. Fechem as portas do céu!
E minha fase sensível tinha que vir à tona, afinal de contas, quando não se tem exatamente com o quê se ocupar, a mente começa a vagar por subjeções nem sempre desejadas...
Ultimamente sumi. Muita coisa mudou e conseqüentemente foram se organizando "aqui dentro". Após divagações sobre o significado dessa tal serenidade que bateu à porta, descobertas acadêmicas empolgantes, novo emprego e terrorismo, esse blog ficou em último plano...
Debaixo da tempestade de canivete, eis que me vem à memória o mesmo menino, pés no chão, shorts rotineiros, rasgados e sujos, sorriso largo, meiguice no olhar... O mesmo moleque que encontro todos os sábados, o mesmo que almoçou comigo à mesa do restaurante com olhares reprovativos esfriando a comida alheia. Será que mora numa daquelas muitas casas que hão de deslizar? Será que passa um frio tão cruel quanto aquele do restaurante? Será que tem cobertor? Desliguem essa merda desse ar-condicionado! Chove lá fora e a gente aqui, usando essa joça! Chove lá fora...
Pensamentos inflamados na faculdade que aumentou a mensalidade em 16%; no país que perdeu 198 pessoas; no acampamento que fechou as portas da Federal. Pensamentos ardentes no show da Concha Acústica; na roda de capoeira; na aula de Pesquisa. Pensamentos inflamados ao escrever poesia, ao relatar esses fatos, ao cantar uma canção. Pensamentos inflamados pelas favelas da cidade, onde foram parar então?
Sensibilidade à flor da pele, na alma, na ponta dos dedos e dos neurônios, no pulso que "ainda pulsa". Paz de espírito comprometida. Revolução se faz assim? Digo com fogo nessas veias: "enquanto a chama arder", quero a inflamável possibilidade de sacralizar tudo que move. E não é preciso residir aqui ou ali para entender esse "desespero" aí...
ROTINA E LUZ
Serenidade fora embora e hoje bateu à porta! Disciplina veio junto e foi categórica ao dizer que não é sinônimo de rotina! Oh, disciplina, quanta falta fizeste! Sem ti minha sombra não se inverte simplesmente; cruelmente me apagas!
É corriqueira estupidez tratar o dia-a-dia com imparcialidade. Atenção! Esvair-se faz parte da sua má índole. Mas há nos dias passantes a maior prova do Yin-Yang: o que seria uma catástrofe aos olhos de pessimistas de plantão, pode ser a gran dádiva para quem procura o sentido iluminado dos segundos.
Muita determinação + um pouco de ambição = disciplina equacionada pela freqüência de segundos-luz! Equação disciplinada pelo futuro em anos-luz!
Luz. Há a possibilidade de ser como câmera escura que inverte e expõe o belo em cores, embora a imagem original esteja de pernas pro ar! "Pupilas de Deus"! Paz... Como aquela lua que olha esse cantinho nesse exato momento. Lá no Hemisfério Norte sua sombra é invertida. E isso não a faz menos astro.
Serenidade fora embora e hoje bateu à porta! Disciplina veio junto e foi categórica ao dizer que não é sinônimo de rotina! Oh, disciplina, quanta falta fizeste! Sem ti minha sombra não se inverte simplesmente; cruelmente me apagas!
É corriqueira estupidez tratar o dia-a-dia com imparcialidade. Atenção! Esvair-se faz parte da sua má índole. Mas há nos dias passantes a maior prova do Yin-Yang: o que seria uma catástrofe aos olhos de pessimistas de plantão, pode ser a gran dádiva para quem procura o sentido iluminado dos segundos.
Muita determinação + um pouco de ambição = disciplina equacionada pela freqüência de segundos-luz! Equação disciplinada pelo futuro em anos-luz!
Luz. Há a possibilidade de ser como câmera escura que inverte e expõe o belo em cores, embora a imagem original esteja de pernas pro ar! "Pupilas de Deus"! Paz... Como aquela lua que olha esse cantinho nesse exato momento. Lá no Hemisfério Norte sua sombra é invertida. E isso não a faz menos astro.
"EU VOU NAVEGAR NAS ONDAS DO MAR..."
Palavras e telefonemas, entrave de um poema.
A minha cabeça gira como se o parque inteiro fosse um kamikaze.
O homem sofria disso quando inventou a roda...
O desespero de dizer não de "cuore" e sim de "testa".
O desespero de querer dizer sim de todas as formas e nem ter como.
O desespero que bate à porta; no fundo ela sabe que é só não abrí-la.
De fato não abre, também não sai.
Pega aquele baú arcaico e transbordante e medíocre e insensato e dela!
Decide tocar fogo naquele legado infeliz - que traria felicidade - e começa com umas faíscas (quem começa com faísca ainda tem dúvidas)
Uma chama dentro para apagar, um baú fora para incendiar.
Foi à praia, um peso na mente, um baú nas costas e todo peso do mundo nos ombros.
Resolveu navegar e, navegando, jogou o baú todo ali, entre palavras ondeantes, entre vírgulas de remo.
A nítida e gostosa sensação de progresso, movimento, liberdade!
Prometeu a si mesma que faria algo semelhante com o peso da alma.
Entra no mar e deixa seu peso encharcar o jeans pelo avesso.
Palavras e telefonemas, entrave de um poema.
A minha cabeça gira como se o parque inteiro fosse um kamikaze.
O homem sofria disso quando inventou a roda...
O desespero de dizer não de "cuore" e sim de "testa".
O desespero de querer dizer sim de todas as formas e nem ter como.
O desespero que bate à porta; no fundo ela sabe que é só não abrí-la.
De fato não abre, também não sai.
Pega aquele baú arcaico e transbordante e medíocre e insensato e dela!
Decide tocar fogo naquele legado infeliz - que traria felicidade - e começa com umas faíscas (quem começa com faísca ainda tem dúvidas)
Uma chama dentro para apagar, um baú fora para incendiar.
Foi à praia, um peso na mente, um baú nas costas e todo peso do mundo nos ombros.
Resolveu navegar e, navegando, jogou o baú todo ali, entre palavras ondeantes, entre vírgulas de remo.
A nítida e gostosa sensação de progresso, movimento, liberdade!
Prometeu a si mesma que faria algo semelhante com o peso da alma.
Entra no mar e deixa seu peso encharcar o jeans pelo avesso.
O GATO COMEU.
Arranha céus, torres, pincel
ônibus, hotel, mares, véus...
Garota sumiu, pastor sucumbiu
matriz faliu, certeza diminuiu
"cadê minha filha que tava aqui?"
Nação Zumbi, liberdade de ir e vir
pergunta sua com resposta crua.
Alma nua na miséria da rua...
"que tinha garra pras coisas?"
"que dava nós na vida?"
Sei não...
cadê eu mesma que tava aqui?
Arranha céus, torres, pincel
ônibus, hotel, mares, véus...
Garota sumiu, pastor sucumbiu
matriz faliu, certeza diminuiu
"cadê minha filha que tava aqui?"
Nação Zumbi, liberdade de ir e vir
pergunta sua com resposta crua.
Alma nua na miséria da rua...
"que tinha garra pras coisas?"
"que dava nós na vida?"
Sei não...
cadê eu mesma que tava aqui?
1/2
Hoje deixei o despertador tocar pela metade. E meio acordada levantei meia hora depois. Tomei banho com a porta pela metade. Comi um pedaço de pão pela metade. Sabia que roupa vestir pela metade. A outra metade foi trocada meio milhão de vezes. Pensei em pegar o ônibus pra meia-faculdade e continuar o começo dos meus cinquenta por cento restantes... Mas foi pensamento pela metade!
Peguei uma carona pela metade. Carregava o violão pela alça. Uma só. Falei com ex professores inteiros, com abraços pela metade (e de abraços pela metade estou mesmo cansada).
O cansaço passou só pela metade. Meio-dia. Metade de mim. Meia meta. Jade. mistério.
Meia queixa na polícia meia-boca. Ônibus cheio. Meia passagem. Viagem inteira. Meio banco, meio preto. Meio verdade, meio mentira. Sorriso largo. Ponto quebrado ao meio. Coração... A fração perseguidora dos sonhos. A decisão épica de uma sinceridade.
Metade. Só a metade da lua no céu me aguarda em casa. De volta à metade de mim, onde a outra deixei?
Hoje deixei o despertador tocar pela metade. E meio acordada levantei meia hora depois. Tomei banho com a porta pela metade. Comi um pedaço de pão pela metade. Sabia que roupa vestir pela metade. A outra metade foi trocada meio milhão de vezes. Pensei em pegar o ônibus pra meia-faculdade e continuar o começo dos meus cinquenta por cento restantes... Mas foi pensamento pela metade!
Peguei uma carona pela metade. Carregava o violão pela alça. Uma só. Falei com ex professores inteiros, com abraços pela metade (e de abraços pela metade estou mesmo cansada).
O cansaço passou só pela metade. Meio-dia. Metade de mim. Meia meta. Jade. mistério.
Meia queixa na polícia meia-boca. Ônibus cheio. Meia passagem. Viagem inteira. Meio banco, meio preto. Meio verdade, meio mentira. Sorriso largo. Ponto quebrado ao meio. Coração... A fração perseguidora dos sonhos. A decisão épica de uma sinceridade.
Metade. Só a metade da lua no céu me aguarda em casa. De volta à metade de mim, onde a outra deixei?

ON LINE
Tudo se confunde entre parênteses e enter. Entre emotions e planos de fundo. Entre aqui e aí; apesar da paixão pelos toques inexplicáveis, sorrisos branquinhos e pessoais, piscar de olhos, abraços quentes, beijinhos, sentimentos, sentimentos e sentimentos.
Estou onde penso conhecer ou seu mundo que veio pra cá?
A vulnerabilidade não existe no universo virtual das palavras. A minha exigência com a verdade às vezes me confunde. A possibilidade de não estar numa via de mão única, embora do outro lado se insista em fingir o contrário (como se não bastasse a confusa retórica sem pontuação ou correção ortográfica).
Nessa cadeia de fingimentos equacionada, é a verdade que vem à tona. Te conheço cada vez mais. Me reconheço cada vez menos. E acho que é vice-versa... O mundo é minúsculo. O mundo não pára de crescer. Alguns amigos verdadeiros se queixam. Outros não. Talvez permanecer off line solucionaria o problema.
CARTAS REAIS PARA DEUS, ESCRITAS POR CRIANÇAS
Querido Deus,
Eu não pensava que laranja combinava com roxo, até que vi o pôr-do-sol que você fez na terça-feira. Foi demais.
Querido Deus,
eu aposto que é muito difícil para você amar a todas as pessoas do mundo. Na nossa família tem só quatro e eu nunca consigo...
Querido Deus,
talvez Caim e Abel não matassem tanto um ao outro se eles tivessesm seu próprio quarto. Isso funciona com meu irmão.
Pureza é isso! Uma mistura de poesia e humildade voltadas para Deus, sem máscaras.
Querido Deus,
Eu não pensava que laranja combinava com roxo, até que vi o pôr-do-sol que você fez na terça-feira. Foi demais.
Querido Deus,
eu aposto que é muito difícil para você amar a todas as pessoas do mundo. Na nossa família tem só quatro e eu nunca consigo...
Querido Deus,
talvez Caim e Abel não matassem tanto um ao outro se eles tivessesm seu próprio quarto. Isso funciona com meu irmão.
Pureza é isso! Uma mistura de poesia e humildade voltadas para Deus, sem máscaras.
INSÔNIA E DEVANEIOS NA MADRUGADA
Cadê o temporal que comprovava minha insolubilidade? Distorção do perfeitinho, bilhete pra fortaleza, prova dos nove?
Mesmice é tão estranho... Alguém, por favor, coloca uma música! É que se ao menos eu conseguisse pegar no sono...
Meus pensamentos polifásicos, no entanto, me serviam como concreta comprovação da minha vitalidade e liberdade.
Já tentaram controlar o que penso, sinto, acredito. O absurdo de muitos passa a ser tão ou mais importante que o ar que respiro.
As crenças são deveras muito abstratas e perigosas. Tenho dó das crianças, forçadas a acreditar nas sórdidas canções de ninar. Meu filho nunca vai ouvir "boi da cara preta".
Cadê o temporal que comprovava minha insolubilidade? Distorção do perfeitinho, bilhete pra fortaleza, prova dos nove?
Mesmice é tão estranho... Alguém, por favor, coloca uma música! É que se ao menos eu conseguisse pegar no sono...
Meus pensamentos polifásicos, no entanto, me serviam como concreta comprovação da minha vitalidade e liberdade.
Já tentaram controlar o que penso, sinto, acredito. O absurdo de muitos passa a ser tão ou mais importante que o ar que respiro.
As crenças são deveras muito abstratas e perigosas. Tenho dó das crianças, forçadas a acreditar nas sórdidas canções de ninar. Meu filho nunca vai ouvir "boi da cara preta".
POIS QUANDO A LUA NÃO MAIS ILUMINAR
Pois quando a lua não mais iluminar
Os caminhos serão desviados
Os pássaros irão pra gaiola
Os amores serão desprezados
O ontem permeará o agora
Não valerá a pena cantar.
Pois quando a lua na mais iluminar
Podem matar a poesia
Racionalizar a paixão
Supervalorizar o não
Desiludir a utopia
Desmistificar o olhar.
Pois quando a lua não mais iluminar
Que venham as falsas filosofias
Que mexam o imóvel constante
Que os beijos durem um só instante
Que dancem a fugaz melodia
Não valerá a pena amar.
Pois quando a lua não mais iluminar
Destruir-se-á a fantasia
Sem São Jorge, Queijo, poesia
Sem luz, furta-cor, fim do dia
Viagens, espectro circular.
O homem pisou
E pisa nos homens
Sem órbita, a girar ('que maravilha!').
Pois quando essa lua não mais iluminar
Não valerá a pena viver, ser ou estar.
Pois quando a lua não mais iluminar
Os caminhos serão desviados
Os pássaros irão pra gaiola
Os amores serão desprezados
O ontem permeará o agora
Não valerá a pena cantar.
Pois quando a lua na mais iluminar
Podem matar a poesia
Racionalizar a paixão
Supervalorizar o não
Desiludir a utopia
Desmistificar o olhar.
Pois quando a lua não mais iluminar
Que venham as falsas filosofias
Que mexam o imóvel constante
Que os beijos durem um só instante
Que dancem a fugaz melodia
Não valerá a pena amar.
Pois quando a lua não mais iluminar
Destruir-se-á a fantasia
Sem São Jorge, Queijo, poesia
Sem luz, furta-cor, fim do dia
Viagens, espectro circular.
O homem pisou
E pisa nos homens
Sem órbita, a girar ('que maravilha!').
Pois quando essa lua não mais iluminar
Não valerá a pena viver, ser ou estar.
(de diários...) DEZEMBRO EM CRAVOLÂNDIA
Intro
Cidade do Cravo. Do Mário Cravo!
Embora tenha visto muitas flores, cravo mesmo não vi por aqui... Ipês multicoloridos, flamboyants, graxeiras vermelhas, mais vermelhas e alaranjadas, acácias em amarelo resplandecente que eram o sol da pracinha... todas de braços abertos numa recepção realmente florida!
Cravolândia é uma cidadezinha pra lá de pacata, sem grandes elites e frescuras, com uma brisa ao entardecer de deixar qualquer um com vontade de rede e sono tranqüilo. Ocorre que entre conhecer gente, o prefeito, seu povo e até os da foto, meu sono atrasado há meses se desapercebera de mais esse protocolo.
Há 41 anos o então município de Santa Inês era praticamente um latifúndio artístico. Uma enorme fazenda escondia não escondendo o nosso (os cravolandenses que me permitam!) arquiteto Mário Cravo. Roça, termo carinhoso e fruto mesmo de um vocabulário próprio do interior, não se aplica de maneira alguma a esse caso. A "fazendinha" era provida de nada mais nada menos que um cinema! O Cine Cravo.
O nome Cravo foi prodigiosamente se perpetuando por entre as senhorias do logradouro, tomando forma, conquistando os vassalos da época. Até que em 1962 a cidade em formato de letra "ele" foi emancipada. Livre de Santa Inês poderia ter, portanto, o nome que "lhe" viesse. Veio à tona o poder do nosso artista: CRAVOLÂNDIA. "Não, eles não queriam dizer 'Cidade dos Cravos', nem das flores. Apenas uniram o nome do pai ao da mãe, que se chamava... que se chamava... esqueci". Sei, sei...
Conversa vai, conversa vem e Cravolândia pra mim é um universo. Há 200 metros está a igrejinha, há menos ainda o clube. Tem-se a impressão de, olhando da esquerda pra direita, enxergar o início e o fim da cidade. E é quase isso. Só que "aqui tem muita fazendona. A zona rural é enorme pra lá... Produtor de abacaxi, feijão, soja. Até cacau por aqui já começou a ter."
E você conhece o Café Cravo? Pois é, cravolandense, filho 'do homem'. Houve um tempo em que por aqui dava muito café. Tudo mais cedo ou mais tarde acaba precedido por um houve um tempo. A ironia dos ponteiros da vida que riem-se de nós a pensar, enquanto passa: vamos mostrar a esses homens de poder quem é soberano e vassalo!
Primeiro dia
Bem servida por gente simples, hospedada na casa do prefeito, ía mesmo adentrando a vida popular cravolandense. Acabei por surpreender (?) as figuras da sala de TV que mais parecia acolher o povo inteirinho da cidade que não tem televisão em casa. Sem cerimônias passei por eles e: "boa noite!". Foi o suficiente para que a televisão me concedesse todo o seu poder hipnotizante. Socorro, eles olham e olham!!! Acelerei o passo. Aquilo me intrigou um pouco por muitos minutos.
Sentei-me. Tranqüilidade reconquistada, pulmões novamente cheios de ar. O meio-fio macio de Cravolândia... Mas lá vem um deles, ai meu Deus!!! Com um banco na mão. Gaguejou umas sílabas e então: "o banco... trouxe pra você, cantora!” (Eu hein!) "precisa não, brigada!" (sorrir depois dessa negação adianta?). Voltou pra sala perplexo. Pela janela todos os olhos tentam disfarçar, mas a verdade é que se viram, um por um para checar: a cantora extraterrestre que senta no chão. Ou apenas o termo cantora lhes bastasse... E eu me sentindo tudo: visitante, pesquisadora, jornalista, parente, assessora de eventos, até cravolandense; menos cantora!
Segundo dia
No meio do ensaio, enquanto corria de um lado pro outro à procura da letra de uma música pela vizinhança, guiada pela linda menininha, Marianne, de 11 aninhos, vi uma estrela cadente. Pedia a Deus que nunca me abandonasse. Como se isso fosse preciso, mas vai entender as necessidades humanas... Ele foi fazer-nos complexos assim, agora que agüente!
Depois de ensaio e céu cheio de estrelas, de passos lentos no meio da rua, de cantar ao relento, de equilibrar-me por entre os paralelepípedos desnivelados, de bolo de baunilha e bate-papo com o prefeito, vou à janela do quarto que me acolhia em busca do céu novamente. Decepção. Nenhuma estrela. Todas elas se exibindo no lado para o qual dava a janela do político. Não é possível que até o céu seja injusto com as mazelas dos assalariados!
Minhas esperanças... e lá estava ela, saindo ao fundo de uma nuvem que se movia. Nunca mais a tinha visto. O nome não sei. Acho que é um planeta, mas estrela me basta. O amor simplifica a denominação de tudo!
Sei que acordei com a sensação de companhia constante. Esfrego os olhos, me viro um pouquinho e aaaahhhh!! Lá estava ela, tomando conta de mim. Segurando o amanhecer como se pensasse: depois que ela me der bom dia vou-me embora. E foi. E anil virou celeste. Todo mundo devia ter uma estrela ao seu lado...
Despedida na BR 116
Lá ao fundo, lá em cima
Lá por trás do Ipê rosado
Tem um morro verde e cinza
Por completo sombreado
E um feixe ensolarado
Com formato de Brasil
Ou será que é da Bahia?
Olho de novo. Sumiu...
Intro
Cidade do Cravo. Do Mário Cravo!
Embora tenha visto muitas flores, cravo mesmo não vi por aqui... Ipês multicoloridos, flamboyants, graxeiras vermelhas, mais vermelhas e alaranjadas, acácias em amarelo resplandecente que eram o sol da pracinha... todas de braços abertos numa recepção realmente florida!
Cravolândia é uma cidadezinha pra lá de pacata, sem grandes elites e frescuras, com uma brisa ao entardecer de deixar qualquer um com vontade de rede e sono tranqüilo. Ocorre que entre conhecer gente, o prefeito, seu povo e até os da foto, meu sono atrasado há meses se desapercebera de mais esse protocolo.
Há 41 anos o então município de Santa Inês era praticamente um latifúndio artístico. Uma enorme fazenda escondia não escondendo o nosso (os cravolandenses que me permitam!) arquiteto Mário Cravo. Roça, termo carinhoso e fruto mesmo de um vocabulário próprio do interior, não se aplica de maneira alguma a esse caso. A "fazendinha" era provida de nada mais nada menos que um cinema! O Cine Cravo.
O nome Cravo foi prodigiosamente se perpetuando por entre as senhorias do logradouro, tomando forma, conquistando os vassalos da época. Até que em 1962 a cidade em formato de letra "ele" foi emancipada. Livre de Santa Inês poderia ter, portanto, o nome que "lhe" viesse. Veio à tona o poder do nosso artista: CRAVOLÂNDIA. "Não, eles não queriam dizer 'Cidade dos Cravos', nem das flores. Apenas uniram o nome do pai ao da mãe, que se chamava... que se chamava... esqueci". Sei, sei...
Conversa vai, conversa vem e Cravolândia pra mim é um universo. Há 200 metros está a igrejinha, há menos ainda o clube. Tem-se a impressão de, olhando da esquerda pra direita, enxergar o início e o fim da cidade. E é quase isso. Só que "aqui tem muita fazendona. A zona rural é enorme pra lá... Produtor de abacaxi, feijão, soja. Até cacau por aqui já começou a ter."
E você conhece o Café Cravo? Pois é, cravolandense, filho 'do homem'. Houve um tempo em que por aqui dava muito café. Tudo mais cedo ou mais tarde acaba precedido por um houve um tempo. A ironia dos ponteiros da vida que riem-se de nós a pensar, enquanto passa: vamos mostrar a esses homens de poder quem é soberano e vassalo!
Primeiro dia
Bem servida por gente simples, hospedada na casa do prefeito, ía mesmo adentrando a vida popular cravolandense. Acabei por surpreender (?) as figuras da sala de TV que mais parecia acolher o povo inteirinho da cidade que não tem televisão em casa. Sem cerimônias passei por eles e: "boa noite!". Foi o suficiente para que a televisão me concedesse todo o seu poder hipnotizante. Socorro, eles olham e olham!!! Acelerei o passo. Aquilo me intrigou um pouco por muitos minutos.
Sentei-me. Tranqüilidade reconquistada, pulmões novamente cheios de ar. O meio-fio macio de Cravolândia... Mas lá vem um deles, ai meu Deus!!! Com um banco na mão. Gaguejou umas sílabas e então: "o banco... trouxe pra você, cantora!” (Eu hein!) "precisa não, brigada!" (sorrir depois dessa negação adianta?). Voltou pra sala perplexo. Pela janela todos os olhos tentam disfarçar, mas a verdade é que se viram, um por um para checar: a cantora extraterrestre que senta no chão. Ou apenas o termo cantora lhes bastasse... E eu me sentindo tudo: visitante, pesquisadora, jornalista, parente, assessora de eventos, até cravolandense; menos cantora!
Segundo dia
No meio do ensaio, enquanto corria de um lado pro outro à procura da letra de uma música pela vizinhança, guiada pela linda menininha, Marianne, de 11 aninhos, vi uma estrela cadente. Pedia a Deus que nunca me abandonasse. Como se isso fosse preciso, mas vai entender as necessidades humanas... Ele foi fazer-nos complexos assim, agora que agüente!
Depois de ensaio e céu cheio de estrelas, de passos lentos no meio da rua, de cantar ao relento, de equilibrar-me por entre os paralelepípedos desnivelados, de bolo de baunilha e bate-papo com o prefeito, vou à janela do quarto que me acolhia em busca do céu novamente. Decepção. Nenhuma estrela. Todas elas se exibindo no lado para o qual dava a janela do político. Não é possível que até o céu seja injusto com as mazelas dos assalariados!
Minhas esperanças... e lá estava ela, saindo ao fundo de uma nuvem que se movia. Nunca mais a tinha visto. O nome não sei. Acho que é um planeta, mas estrela me basta. O amor simplifica a denominação de tudo!
Sei que acordei com a sensação de companhia constante. Esfrego os olhos, me viro um pouquinho e aaaahhhh!! Lá estava ela, tomando conta de mim. Segurando o amanhecer como se pensasse: depois que ela me der bom dia vou-me embora. E foi. E anil virou celeste. Todo mundo devia ter uma estrela ao seu lado...
Despedida na BR 116
Lá ao fundo, lá em cima
Lá por trás do Ipê rosado
Tem um morro verde e cinza
Por completo sombreado
E um feixe ensolarado
Com formato de Brasil
Ou será que é da Bahia?
Olho de novo. Sumiu...